quinta-feira, 24 de maio de 2012

A metade do inteiro que somos. 2ª carta.


O meu medo mudou, o que sinto hoje já não mais pode ser chamado de medo.
Meu medo se tornou desejo,  e meu desejo virou procura.
Se outrora não sou um inteiro, e o que sinto  não mais é medo e sim a falta da metade do inteiro que  deveríamos ser, quero eu então em uma busca me lançar, quero então buscar a outra metade do meu todo, a metade que me cabe por direito.
Buscarei a ti sem saber que tu és, e em duvidas sei que eis de te achar. Ontem sentado na praça um rouxinol me contou que quando achar-te saberei que tu és tu, e sendo tu a quem procuro, portanto és  minha metade;é a metade que  falta de nós assim como eu.
 E ainda mais disse o rouxinol, disse ele que haveria sinais.
- Preste atenção, muita atenção, vou lhe disser como tudo á de ser, quando sua outra metade chegar a ver. Seu mundo vai parar, as pessoas vão como que desaparecer, só será vocês dois, o olhar irá penetrar no mais fundo da alma fazendo incandescer a alma translúcida do ser amado!O toque das mãos irá gelar a alma, de tal maneira a fazer o corpo todo se arrepiar, o cheiro da essência humana irá embriagar os corações  de tal modo a cegar tuas visões.A de ser assim e mais um pouco, não irei eu contar a ti tudo, para não acabar com tua alegria e a tua vontade pelo outro.
Dizendo isso o rouxinol cantou e voou para além das nuvens, comecei então a imaginar, como seria te ver, te olhar, te sentir e te tocar, te ter e te amar e resolvi  sair eu na busca o meu inteiro.