terça-feira, 4 de março de 2014

Limpei a mesa

16 de fevereiro de 2014...

Passei uns dias fora. Ele ficou aqui vazio, ou melhor, ele ficou aqui sem mim. Ele ficou aqui com as portas abertas, sem mim, e cheio, cheio de tudo que sou eu, e quem passava poderia me ver, mesmo sem eu estar aqui.
Entrei, silencio, de ambos, o meu e o dele,não me vi mais no meu quarto, que antes gritava a mim , e agora eu mesmo não me vejo.
Depois de tudo trocado, de tudo mudado, de tudo arrumado de um novo eu, a mesa dentro dele gritava,
gritava tudo que estava sobrando do que era antes ele.
A mesa estava carregada de tudo. Cores, letras, números, objetos, sentimentos guardados desnecessariamente.
Sabe cena de televisão, quando tudo é jogado no chão? Pois é, não foi tudo jogado no chão, mas tudo tirado do lugar, o chão ficou cheio de tudo.
Mesmo sem tudo aquilo que já estava no chão ainda sim estava cheia de tudo que estava literalmente nela.
Então com um pano umedecido cada eu que nela estava comecei a tirar, cada dia que estava nela começou a dela sumir, cada cor, cada letra, cada numero.
Branca. A mesa ficou branca.
Faxina boa no quarto, é dessas que a gente joga muito passado fora.
Limpei a mesa.